O Grupo de Estudos de Teatro de Sombras dedica-se a pesquisar linguagens e formas de treinamento e criação para o Teatro de Sombras contemporâneo. É um grupo de estudos associado ao GEAC, Grupo de Estudos e Investigações Sobre Criação e Formação em Artes Cênicas (GEAC), criado no Curso de Teatro da Universidade Federal de Uberlândia.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Estudos de criação e técnica - reflexões em tempos de greve...

O blog se encontra bastante desatualizado. Desde o final dos encontros do primeiro semestre, algumas diretrizes de trabalho foram reajustadas, e contamos com a boa notícia da aceitação da bolsa de Iniciação Científica para a Letícia Alvares, entre outras notícias.

No momento, o trabalho do grupo tem acontecido em três frentes:
  • O trabalho de criação e estudo de métodos de trabalho com a sombra corporal;
  • a busca do desenvolvimento, com a colaboração de funcionários e professores do Curso de Engenharia (UFU);
  • A busca por meios de viabilização da ida de integrantes do grupo para o Seminário de Estudos de Teatro de Formas animadas em Jaraguá do Sul.

Por hora, o blog registrará questões e resultados da primeira das três etapas. Esperemos que em breve haja boas notícias acerca do avanço das etapas restantes.

Os últimos encontros foram dedicados a produzir fragmentos de cenas que pudessem servir de matriz para discussões e desenvolvimento do trabalho. Foi discutida e acertada que a metodologiua de trabalho seguiria a crença de que não é possível estudar processos de criação teatral sem que se esteja de alguma forma angajado num processo de criação. Assim sendo, foi escolhido o tema do teatro de Grand-Guignol, um teatro de terror e violência surgido na Paris da segunda metade do sécuko XIX, e a partir do levantamento dos seus eixos temáticos, levantar cenas emn duas etapas, sendo a primeira de improviso sobre a tela de temas gerais, escolhidos a cada sessão de trabalho; e a segunda etapa de decupagem, seleção e apresentação de cenas a partir das idéias reunidas na etapa de improvisação.

Após dois encontros (14 e 21 de agosto) onde foram trabalhados, respectivamente, os temas de perseguição e assassinato, passamos a criar as cenas e trabalhar sobre elas. Acordou-se que para os encontros seguintes seria mais produtivo suspendermos o trabalho de improvisação devido à quantidade de material levantado, e ao grande trabalho necessário para levantar e aprimorar as cenas iniciais.

Percebeu-se o quanto os recursos e efeitos expressivos propostos pelas cenas possuem de estímulo para trabalho e reflexão, acerca dos temas de eleição de cada um de nossos integrantes.

Portanto, paro agora de falar. Estão publicados abaixo os vídeos com apresentações das cenas feitas na sessão de trabalho de 04 de setembro. Vamos usar os comentários para nossas considerações e organizar nossos pensamentos e materiais para os artigos, banners, oficinas, espetáculos e projetos que virão.


quarta-feira, 15 de agosto de 2012

ideias revolucionarias

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10151210957697289&set=a.338713027288.189303.330717012288&type=1&theater


eh no face book, da uma olhada ai pessoal...

Usando apenas objetos opacos e translúcidos (além de um excelente jogo de luz), o artista azerbaijano Rashad Alakbarov, cria pinturas através de reflexos de luz e sombras em paredes em branco.

Impressionante!

terça-feira, 12 de junho de 2012

Encontro do dia 22 de maio de 2012

Postagem escrita por Valeria Ginaechini


Hoje em nosso grupo de estudos estavam presentes Victor Rodrigues, Welerson, Valéria Gianechini, Mario Piragibe e um novo e querido membro Gétulio Goes.
Falamos sobre o conceito de Ideograma (visualidade e discursividade juntas!) e quanto este se aproxima da qualidade que pretendemos alcançar com a pesquisa de sombras corporais.
Sobreposições de imagens que permitam que o leitor faça sua própria interpretação.
Conversamos sobre os ingredientes dos ViewPoints de Anne Bogart que podem colaborar neste processo de criação/invenção de nossos métodos.
Definimos como importante referencia os textos de Will Eisner sobre quadrinhos. Onde imagem e texto são equivalentes.
Ao invés de dramaturgia da sombra Mario sugere que pensemos em discurso da sombra. Criar uma dramaturgia a partir dos recursos discursivos.
Em seguida assistimos a uma animação trazida por Getúlio.
No momento prático do encontro partimos para uma experimentação com o foco estático no qual cada um experimentava uma “dança” na sombra. Exercício que evoluiu posteriormente para presença de mais uma pessoa próxima a fonte e também com foco móvel.
Algumas questões surgiram:
Como recordar o que se fez em prol de um determinado efeito na sombra? O que é necessário para alcançar isto?
É possível realizarmos uma seleção (de partituras, movimentos, gestos)? Como faremos isto?
Acessar a memória não nos parece suficiente já que o nosso primeiro referencial é a imagem na tela.
Portanto compreendemos que existe aqui uma necessidade de decodificar o que fazemos. (Projeção + Controle Físico + treinamento do olhar)

terça-feira, 22 de maio de 2012

Planejamentos e discussões teóricas

O encontro do dia 15 de maio de 2012 foi um encontro com quorum reduzido. De fato, a chuva forte que caiu naquele dia isolou muita gente, e a chegada até o Ponto de Cultura Trupe de Truões não foi fácil. Estavam presentes aquele dia Mario Piragibe, Valéria Gianechini e Welerson Filho.

Resolveu-se então aproveitar a situação para conversarmos mais detidamente acerca dos nossos rumos metodológicos e projetar nossas ações para o restante do ano.

As discussões ocorreram em torno de três frentes de trabalhos principais, a saber: procedimentos de pesquisa, ampliação do referencial teórico e ações de visibilidade e compartilhamento. Os principais pontos em torno desses temas, e que nortearão os trabalhos do grupo serão dispostos em seguida, mas não sem que nossos principais temas de discussão sejam apresentados:


TEMAS/PESQUISAS


- Entendimento de fundamentos poéticos e técnicos do teatro de sombras contemporâneo;
- Estudo desses fundamentos feitos a partir do trabalho com a sombra corporal;
- Treinamento e levantamento de fundamentos de trabalho para o ator no teatro de sombras a partir da gramática gestual desenvolvida por Etienne Decroux para a Mímica Corporal Dramática;
- Treinamento e levantamento de fundamentos de trabalho para o ator no teatro de sombras a partir de princípios gerais de treinamento para o ator no Teatro de Animação, segundo autores como Valmor Beltrame e Paulo Balardim;
- Estudo e experimentação de criação e discursividade em teatro de sombras, suportado por princípios de linguagem do cinema e das histórias em quadrinhos.

Participa ainda das nossas discussões questões relativas ao uso da sombra como linguagem e método de ensino do teatro. No entanto essas discussões ainda se encontram em estágio latente.


PROCEDIMENTOS DE PESQUISA

- Manutenção da rotina de treinamento e experimentação com sombra corporal a partir da gramática gestual de E. Decroux;
- Emprego de fundamentos de trabalho do ator no teatro de animação para experimentação no âmbito da sombra corporal;
- Experimentação com criação de cenas e momentos sobre a tela com vistas a compreender a poética da sombra, bem como para desenvolver cenas demonstrativas de princípios de treinamento e criação;
- Experimentações com criação poética em sombra com vistas a servir de caso para reflexão dos artistas pesquisadores do Grupo.


REFERENCIAL TEÓRICO

Nossa bibliografia se amplia com obras que tratam da discursividade em linguagens artísticas que reconhecemos estabelecer parentesco com a arte da sombra teatral:


EISENSTEIN, Sergei. Dramaturgia da forma do filme. in: A forma do filme. Tradução Teresa Ottoni. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. pp. 49-71.

EISNER, Will. Quadrinhos e arte sequencial. tradução de Luis Carlos Borges e Alexandre Borges. 4a ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2010.

FOUCAULT, Michel. Isto não é um cachimbo.  tradução de Jorge Coli. 4a edição. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998 (Oficina das artes).
livro disponível online aqui

Dessas obras ressaltamos, entre diversas questões, as noções de ideograma e caligrama, que empregamos para imaginar uma construção dramatúrgica que dispõe signos imagéticos de modo a articular um discurso sequencial, ou de montagem.


AÇÕES DE VISIBILIDADE E COMPARTILHAMENTO


- Produção de material reflexivo com vistas a edição de um caderno de pesquisa com textos de discussões acerca do trabalho da pesquisa;

- Participação no Seminário de Teatro de Formas Animadas de Jaraguá do Sul com apresentação de banners  e demonstrações de trabalho;

- Participação no congresso da ABRACE com publicação de resumo ampliado de artigo e banner acerca da pesquisa;

- Elaboração de cenas e apresentações com a linguagem da sombra para exercício dos levantamentos de pesquisa e  como demonstração de procedimentos de treinamento e poética.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

domingo, 13 de maio de 2012

No escuro?

Encontro do dia 08/05/2012

Bem, após duas semanas retomamos os trabalhos com as presenças de Letícia Mariano, Mario Piragibe, Victor Rodrigues e Welerson Filho. Iniciamos o encontro com uma roda de conversas onde diversas questões foram levantadas:
 
- Linguagens como os quadrinhos e o cinema dialogam com o teatro de sombras?
- E como utilizá-las para nossos trabalhos?
- A sombra triangula?
- Produzir mictórios a lá Du Champ em larga escala pode ser um negócio rentável?
 E por aí vai...
 
 Em seguida, fomos a parte prática que se iniciou com nosso breve aquecimento. Assim que iniciamos os exercícios dos andares, Valéria Gianechini chegou e juntou-se ao trabalho. Experimentamos um pouco de deslocamento com o 'andar base', que se não me engano, é o terceiro andar da mímica. Depois como de praxe, também realizamos a escala corporal lateral de inclinação (egipciana) e a escala de braço.
Para finalizar o primeiro momento de análise de movimento realizamos o 'Pique-sombra'  jogo apresentado pelo Ricardo Augusto no final do ano passado. Expostas as regras iniciamos a brincadeira, de início com o a fonte de luz mais fixa. Porém, com o decorrer foi experimentado a possibilidade do foco mover-se com maior intensidade, dificultando um pouco mais as coisas para os jogadores, hehe.
Partimos para a segunda etapa, improvisação. Com a fonte e a tela posicionadas a regra era: coloque sua sombra para dançar. Com o estímulo sonoro proposto por nosso DJ Piragibe, cada um tinha um período de tempo para fazer sua sombra dançar da maneira que quizesse. Assim, que todos dançaram, um novo comando foi adicionado ao exercício: continuar experimentando movimentos e escolher cinco imagens de sombra que gostou. 
Escolhidas as imagens e apresentadas aos colegas, lemos um trecho de um texto selecionado por mim da tese de Fabiana Lazzari. Após a leitura foi sugerido aos participantes do encontro que utilizando de seus movimentos e do texto como pré-texto, construissem uma pequena cena/exercício cênico de sombras. Para mim, o processo de criação em teatro de sombras, ainda é nublado e cada vez mais me instiga, também, investigar verticalmente maneiras de se chegar a resultados cênicos nessa linguagem. 
Dadas as instruções, o caos se instaurou. E se instaurou para todos. O que é essa bendita dramaturgia da sombra que tanto se fala? Como sair de nossa zona de conforto? O que pode ser feito com as sombras? Perguntas minhas, que durante a avaliação do exercício feita após a apresentação, percebi que eram de todos.
Questões que vão fertilizar e muito nossas cabeças para que continuemos nossas investigações no escuro, xD

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Encontro do dia 17.04.2012

O  nosso encontro aconteceu no dia 17/04/20012 e nesse dia, que surgiram coisas novas que abriram mais o nosso leque de treinamento, estiveram presentes na nossa “euréka” os colegas: Letícia Mariano, Mario Piragibe, Valéria Gianechini, Victor Rodrigues e Welerson Freitas.
Começamos com uma conversa rápida do que seria o trabalho e alguns comentários dos vídeos postados aqui no blog foram feitos, no nosso bate-papo inicial de trabalho. Ao desenrolar da conversa começamos com os alongamentos e espreguiçamentos que nos levam sempre a uma concentração maior no trabalho, simplesmente porque voltamos a atenção ao corpo gradativamente e a dispersão se esconde. Esconde porque considero que ela seja algo necessário e apenas sai da `cochia’, nos momentos de trabalho como forma de relaxamento e bem estar.
Partimos então para o trabalho com as escalas laterais da mímica corporal que viemos trabalhando a algum tempo (Gosto bastante das escalas porque o trabalho com elas resultam maiores exatidões no momento em que vamos a ação)... direita e esquerda: cabeça; do pescoço até a cabeça; do peito, pescoço até a cabeça; do meio da coluna, peito, pescoço até a cabeça;do fim do quadril, meio da coluna, peito, pescoço até a cabeça. É assim, que vejo, como se segue a lógica do mover em bloco lateralmente e é algo gradual. O corpo é dividido e o entendimento corporal passa a ser mais detalhado com o prolongar do processo.
O colega Welerson já pediu que partíssemos já direto para os treinamentos de ponto-fixo e visualização de objetos que, respectivamente, consistem em criar a ilusão de que o mímico está a interagir com algo e esse algo seja físico ou não. Ex: mesa, parede, dentro de uma caixa, peso do objeto, cor, etc. Primeiramente fomos a posição do sentar no banquinho onde os pés são juntos e abertos em diagonais, pernas flexionadas seguindo a linha do pé e o quadril gira em torno do próprio eixo para frente. A partir dessa posição treinamos o pegar papel e foi pedido que visualizássemos o tamanho, peso, formato e cor. A cada pedaço de papel retirado mudava-se as cores, os formatos, os pesos e tamanhos (percebi que ao visualizar conseguimos atribuir uma lógica de movimento e organização corporal para dar mais verdade à visualização). Então de repente mudou-se o objeto. Logo após foi nos dado o estimulo de pegar garrafas e pratos até que fizemos um trabalho coletivo, que foi o agarrar e conferir uma tubulação. Foi interessante porque esse exercício remete muito ao jogo do siga o mestre e impõe a quem está seguindo uma observação detalhada do tubo que o mestre está propondo, ao realizar a mímica de está-lo agarrando. O tamanho, forma, e sentido que a tubulação seguia era o mestre quem dava até que foi dito que agora tínhamos que achar um vazamento na tubulação. (a sugestão de visualização da situação foi um momento muito legal porque migramos do trabalho em conjunto para um particular, mas ao mesmo tempo em grupo e nos também trás um `problema’ que abre portas para visualizarmos algo em que todos estão em contato, mas cada um sugere um vazamento diferente).
Ao seguirmos pro telão o Welerson foi muito feliz ao nos propor situações na hora do trabalho com a sombra. Foi estimulado, na situação em que participavam Mário e Valéria, que eles seriam os novos contratados de uma fábrica de envasamento de água no setor de embalagem, onde haveria uma esteira e as garrafas passariam de um para o outro nela. A ação se desenrolou na seguinte lógica: Valeria ficou encarregada de pegar as garrafas, tampar e levá-las a esteira. Mário fez o papel de pegá-las da esteira e colocá-las em um balcão. Com o  desenrolar do jogo Welerson dava mais estímulos sugerindo que a fabrica precisava aumentar a produção e a velocidade da esteira havia sido aumentada. Foi incrível como o movimento passou de algo automático e, com o aumento gradativo da velocidade da esteira, podemos perceber que ficou algo parecido com uma dança, assim que a velocidade se tornou excessiva.
Letícia e eu fomos para o telão e a situação dada era que tínhamos de pegar pilhas de papeis e passar de um para o outro colocando-as em seguida em um balcão. Letícia pegava as pilhas e me passava. Eu pegava e colocava elas em um balcão. Novamente o estimulo da velocidade foi dado até que de repente Welerson muda a situação, mas continua na mesma lógica de pegar algo muito pesado, sugerindo que agora estávamos trabalhando em um sacolão fazendo um carregamento de melancias. As melancias seriam jogadas de um para o outro. Foi muito difícil porque parece com o jogo de jogar o foco para o colega; mas quem sugere peso e forma, é uma pessoa e quem recebe tem que aceitar a proposta do colega. (Foi difícil porém divertido).
Segui-se então um momento individual na sombra, em que todos que participariam (individualmente) do jogo no telão, estaria verificando uma tubulação e procurando por rachaduras ou vazamentos. Agora complicou-se mais ainda porque usaríamos a profundidade do objeto em relação ao telão e constatamos o quanto é difícil passar essa noção mas quando ela é bem visualizada, e proposta em uma angulação boa, passa claramente o formato de uma tubulação e até nos surpreende, pois  quanto mais detalhes damos do objeto e mais usamos o corpo (se apropriando do princípio de equivalência) se torna verdade aquilo que estamos visualizando.
Ao final sentamos e conversamos sobre o que foi trabalhado. O que se podia ver era a cara de satisfação no rosto de todos, pois esse processo de trabalho, se utilizando de situações, nos traz dificuldade; mas uma dificuldade boa. Ela obriga a quem joga, trazer tudo aquilo foi trabalhado para resolver os problemas e surgem coisas fantásticas. Esse momento de experimentação, dado dessa forma, produz mais e agrada mais a quem faz permitindo que a porta da criação fique aberta. Este foi um ponto forte e muito falado pelo professor Mário na roda final e que também foi muito feliz ao sugerir que os próximos exercícios se deem desse jeito como momento de experimentação e futuramente até para criação de cenas. Enfim, acho que esse foi um dos dias mais felizes e produtivos do grupo e o que ficou no final do encontro foi mesmo a sensação de trabalho produtivo e bem feito.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Estiveram presentes a essa sessão de trabalho: Letícia Mariano, Mario Piragibe, Valéria Gianechini, Victor Rodrigues e Welerson Freitas.

Iniciamos com trabalhos de treinamento em escalas corporais, repassando-as: frontal, lateral (chamada egipciana) e de rotação lateral. Vimos, desde a semana anterior, lidando com algumas posturas alternativas, no que diz respeito ao uso da base para as posturas de quadris e de corpo inteiro (a postura que chamamos de Torre Eifel). Bem, antes de prosseguir, eis as divisões coporais que trabalhamos nas escalas:

* CABEÇA
* PESCOÇO (ou MARTELO)
* PEITO
* CINTURA
* QUADRIS
* CORPO INTEIRO (ou TORRE EIFEL)

Em seguida passamos a experimentar a percepção espacial em um jogo proposto pelo Welerson. Usando um foco luminoso estático projetado sobre a tela de projeção (IMAGEM) os atores experimentam, de olhos abertos as relações de distância e efeito dessa distância sobre a tela. Em seguida, os atores são, um a um, vendados e transitam pelo espaço entre o foco e a tela, sendo avisados pelos demais se suas imagens saírem da tela.


O exercício levantou diversas questões e entendimentos acerca do trabalho. Primeiramente é necessário indicar o uso de um termo:

Cone de luz: Esse termo foi emprestado das sessões de trabalho realizados em 2011 com Alexandre Fávero (Cia Teatro Lumbra) e se refere ao espaço situado entre a fonte luminosa e a tela que se encontra banhado pela luminosidade produzida pela fonte. O termo se refere à inclinação do feixe luminoso, que se amplia na medida em que avança no espaço. Esse espaço de influência criado pela ocupação da luz também é entendido como o lugar a partir do qual se produzirá o efeito de projeção da sombra. É a área de atuação do sombrista, o seu espaço de representação.

Welerson mencionou um apontamento de Etienne Decroux sobre a capacidade que o mímico deve desenvolver de "fazer sem ver" ou seja: uma consciência física e espacial que lhe permite executar ações e posturas sem a necessidade de conferir visualmente seu resultado. Essa capacidade foi prontamente identificada pelo grupo como algo necessário ao trabalho com a sombra corporal, pois que tanto a simplicidade das figuras projetadas quanto o entendimento da existência de uma relação peculiar entre gesto, espaço e efeito produzida no trabalho dentro do cone de luz solicita ao artista uma maior consciência fisico-espacial, e uma menor dependência do contato visual com a tela.
















Passamos assim a sugerir e imaginar alguns princípios de trabalho que pudessem auxiliar a desenvolver essa percepção de espaço dentro do cone luminoso, a partir de alguma propostas:

* Trabalhos no escuro;
* Percepção de relações espaciais;
* Exercícios de complementaridade corporal;
* Manipulação de corpos ("escultura") à distância;
* Exercícios que cotejam postura corporal e efeito sobre a tela;
* Precisão gestual.

Tratamos da necessidade de montarmos um banco de jogos experimentados e avaliados quanto aos seus objetivos e aplicabilidade.

A próxima sessão de trabalho (17/04/2012) será essencialmente prática, e agendamos para a sessão posterior a essa (24/04) a discussão sobre a leitura do segundo capítulo da dissertação da Fabiana Lazzari, "Alumbramentos de uma companhia de teatro de sombras" (pp. 82-114).

Fecho o post de hoje com o vídeo de um espetáculo - e uma companhia - muito presente durante a última sessão de trabalho: Voyageus Immobiles, da Cie. Philippe Genty. Até!

Mario Piragibe





terça-feira, 10 de abril de 2012

Ballet Triádico 1970 - Amarilla

Gente, esse é o vídeo que falei do Ballet Triádico, é só uma parte de um espetáculo deles, tem duas outras partes também muito interessantes (a Rosa e a Negra), mas destaco essa que lembra muito o trabalho que desenvolvemos hoje sob orientação do Welerson da escala 'Bonequinha' (como é o nome certo mesmo, Welerson??), fora os 'andares' e a própria presença/desenho (super bem definido) do corpo dos bailarinos.



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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Sobre sombras, objetos, focos e pirações.

Do encontro do dia 03 de abril de 2012.

Testando... testando... 1... 2... 3... Letícia falando...

Começamos o encontro do dia 03 falando sobre a nova ‘ramificação’ do nosso grupo de pesquisa (que a propósito será meu futuro projeto de PIBIC sob orientação do Mário – amém ! haha), explicarei melhor, até então nos nossos encontros temos estudado alguns textos sobre a sombra – e sua trajetória no teatro – e, ainda, temos feito experimentos (improvisações) com a sombra corporal sob orientação do Welerson, utilizando a técnica de escalas corporais (da mímica corporal dramática) do Decroux. A partir de agora abrimos nosso leque e nos antenamos (ou despirocamos) pra outras questões que envolvem o trabalho da sombra corporal, localizando-a como ‘linguagem-parte’ do Teatro de Animação, pensando em como podemos usar o treinamento do ator de teatro de animação na prática do uso da sombra corporal. A sombra pode ser considerada um ‘objeto’ ou ‘ser-inanimado’¿ E nesse caso o ator que a produz pode ser considerado o animador/manipulador¿ Bom, tratemos a sombra como um objeto a ser manipulado, então como aplicar sobre a prática da sombra corporal técnicas apontadas por Beltrame e Balardim como: ponto fixo, foco/centro focal, organicidade, neutralidade, rebatimento de atenção, eixo¿ Pra não ter dúvidas, conceituemos:

Ponto fixo: O ponto fixo cria a ilusão/projeção de um corpo independente. É quando, por exemplo, um ator mímico constrói gestualmente um objeto e localiza-o no espaço.

Foco/Centro Focal: É a condução da atenção do público. Quando a ‘personagem’ mostra sua intenção, atenção ou desejo através do ‘olhar’ (ou direcionamento do corpo). A mudança do foco é o que chamamos aqui de rebatimento de atenção, quando, por exemplo, o público olha pro ator-animador e este está olhando pro objeto, o público automaticamente direciona também o seu olhar para o objeto. Muito parecido com o que conhecemos – de estudos do cômico e do clown – como triangulação.

Organicidade: É o ‘dar vida’ ao inanimado, aplicando movimentos orgânicos (como de respirar e inspirar) ao objeto.

Eixo: Lógica estrutural do objeto/ser.

Neutralidade: Capacidade do ator de teatro de animação ficar ‘neutro’ em cena, deixando todo o foco do público no objeto.

Entrando no conceito de ‘neutralidade’ várias questões surgiram: O ator consegue ser neutro estando em cena¿ Ou a neutralidade é só uma canalização/rebatimento da atenção do público¿ O estar em cena já impossibilita o ‘ser neutro’, ou não¿ Neutralidade seria a não-expressividade¿ Entre muitas pirações, chegamos a um acordo de entendermos neutralidade como um rebatimento da atenção do público, daí cabe ao ator saber dosar o foco da cena pra onde é necessário, afinal, mesmo o não-visto não é neutro, já que interfere ali, você tem que se preocupar com o que está mostrando – não com o que está escondendo !

À idéia de foco foi lembrado esse vídeo, da dupla Hugo e Inês (não preciso nem comentar hein¿):

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Ainda pensando no foco, quando temos, por exemplo, dois corpos projetando uma única sombra, como a idéia do centro focal pode ajudar esses dois corpos a virarem realmente um¿ Podemos dizer que eles ganham unidade à medida que a sintonia entre os dois criam um único corpo e um único foco. Esse vídeo da Cia de dança Pilobolus mostra exemplos ótimos de vários corpos que formam uma única silhueta em sintonia perfeita:

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Todas essas questões e levantamentos das técnicas utilizadas no treinamento do ator de Teatro de Animação serão futuramente acessados no objetivo de adaptá-los pro treinamento e trabalho prático do ator que trabalha com a sombra corporal.

Mudemos de ‘foco’ (rs) e entremos no texto que lemos durante a semana do Roberto Casati, A descoberta da sombra, foi destacado o momento onde o autor narra o despregar-se da sombra/corpo: quando a sombra sai do chão e começa a ser projetada em tela, ou seja, começa a ser verticalizada, é nesse momento que descobrimos a sombra como um objeto manipulável, até então a sombra, redundantemente, era só uma sombra que seguia um corpo pelas ruas das cidades, agora ela É o corpo, e o corpo passa a ser só quase sua sombra, escondido atrás da tela (eu disse escondido, não neutro, vejam bem!), o corpo do ator é o manipulador do objeto-sombra na tela projetado. E nós, meros mortais estudantes de teatro, temos domínio sob a sombra ou ela que tem vida própria e tem domínio sob nós¿ A sombra como uma máscara, ou boneco, que é simplesmente... Algo de místico, misterioso, poético, sabe-se lá. Viagens palosas à parte, voltemos ao texto...! Destacamos, ainda, a grandiosidade do ‘fenômeno’ sombra, e como ele muda e altera as paisagens, posto que a sombra dá a profundidade da mesma. Como dito no texto, tire fotos do mesmo prédio em diferentes horas do dia e veja a diferença que a sombra faz no mundo! Rs...


Hasta la vista !
Letícia Mariano :o)

sábado, 7 de abril de 2012

Pra pensar e descontrair

Pessoal eu achei um video muito interessante e gostaria que discutíssemos sobre. O artista nao manipula a imagem ou sombra (ela esta sendo projetada de cima do publico para o telao e se trata de uma animaçao computadorizada), ele nos da a ilusao de que esta realmente lutando com aquela sombra a partir de movimentos bem coreografados e precisos! Ai fica a pergunta:

Quando estamos manipulando a sombra, seja a partir do telao, fonte ou objeto; conseguimos causar um efeito de ilusao. Mas no video ele também esta manipulando nossa percepçao daquela sombra, apenas executando aquela "dança" com ela. Temos pontos em comum entre este video e o teatro de sombra ao qual estamos estudando?

(sei que o prof. Mário ja me passou uma bibliografia a respeito mas nao li porque na epoca eu estava atolado de problemas pessoais e depois a area que me interessou mais nao abrange muito esse lado. Pessoalmente eu acho que temos muito em comum com esse video)
http://www.youtube.com/watch?v=ZmlkmVoPuQA

domingo, 1 de abril de 2012

Mais vídeos inspiracionais!
Segue uma direção do Fabrizio Montecchi (diretor do Teatro Gioco Vita). Belas imagens.
Comentem!

sábado, 31 de março de 2012

4o Encontro do grupo, em 27 de março de 2012


Começamos o encontro com um aquecimento físico seguido por um trabalho com escalas corporais. O nosso querido amigo Welerson fez uma verificação dos seus fundamentos de treino e recordou-se de outros modos de execução de algumas das escalas (como o deslocamento lateral do quadril e do corpo inteiro, que chamamos de "Torre Eifel") do treinamento. O próprio aquecimento foi bem legal e dirigido em grupo. Considero importante que esse tipo de aquecimento se dê dessa forma. Assim todos interagem melhor e a concentração fica maior, além de podermos observar o outro e ver como o colega esta desenvolvendo tais posturas.
Após o aquecimento em grupo começamos a trabalhar alguns princípios práticos/teóricos da mímica, como ponto fixo e o princípio de equivalência (treinamento em que se passa a ilusão de uma ação em que se implica uma força. Quanto mais força, mais decupagem e uso do corpo são exigidos). Tudo partiu do andar parado, onde se trabalha o sentido e ilusão de movimento de um corpo andando; o balanceamento e equilíbrio do corpo e transferência disto, se pensando nos vetores de força e contra força nos traz a ilusão. O macetinho (como diz o Welerson)  do andar parado pra mim foi o de sempre se estabilizar em um ritmo, e acho que a musica ajuda bastante, pois no encontro passado o ritmo do reggae que usamos como fundo para o trabalhao nos ajudou muito no estudo de como sentir isso no corpo.
Fizemos também as ações de puxar e empurrar caixas. O principio de equivalência se mostrou uma ferramenta muito interessante e bastante lógica. Se combate força com força, e assim se cria a ilusão; e também foi muito bem lembrado pelo colega welerson que se baseia na segunda lei de Newton. Logo após treinamos a ação de esquiar, e também deslocamento lateral, sendo a técnica do esquiar bem parecida com as outras mencionadas; o deslocamento lateral é mais uma técnica em que se consiste a troca de apoios pelo pé criando a impressão de estar parado, mesmo se deslocando de lado... haja coordenação motora!
Depois disso tudo fomos para o telão fazer testes e experimentos. Começamos experimentando o desequilíbrio, onde o corpo era levado ao extremo do equilíbrio dando a sensação de iminência de queda, tudo isto consegui observar em algumas posições que os colegas faziam. Percebi algo importante, quanto mais lento e duradouro os movimentos mais fortes e expressivos eles ficam!
Logo em seguida Welerson mandou que fossemos ao telão, eu e Valéria,  para simularmos o caminhar. Foi muito grande o impacto. Em alguns momentos, dava pra se acreditar que era alguém andando em direção a tela. Quando foi a vez do Welerson fiquei muito impressionado assim que o professor Mario deixou apenas metade superior do welerson iluminado, foi incrível! (vídeo) Ainda mais quando passamos de fonte fixa para móvel, tudo parecia tão grande e dava até a sensação de estarmos vendo algum filme, de tão real que pareceu.

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Após isso tudo improvisamos uma interação com sombra usando um objeto próximo ao foco que projeta uma sombra de um obstáculo no telão. O participante deveria interagir: pulando, empurrando ou escorando. Pessoalmente a parte de puxar ou empurrar é bastante difícil por causa da dificuldade de equivaler as forças pra simular algo. Acredito que o segredo está em controlar o peso. Mas é isso, inicio de treinamento e primeira vez... espero que nas outras vezes consiga fazer melhor.
No final tivemos uma conversa a respeito da primeira parte da dissertação de mestrado do Emerson Nascimento (NASCIMENTO, 2011) em que se apontam alguns princípios do teatro de sombras, juntamtne com uma abordagem histórica e abordava historicamente algumas questões a cerca do teatro de sombra no mundo. Pessoalmente, prefiro o texto da Fabiana Lazzari (2011) porque ela vai mais pra um lado que eu adimiro muito. A técnica e experiência que ela percorreu passou por testes dos quais estou intrigado na minha escrita de monografia e foi de grande ajuda na compreensão de definições que acabamos acumulando sobre as técnicas e pilares do teatro de sombra.

Neste encontro compareceram: Mario Piragibe, Valéria Gianechini, Victor Rodrigues e Welerson  Filho.

Este encontro marcou também um avanço no aspecto técnico do trabalho, pois foi a primeira vez que trabalhamos com o foco luminoso produzido por uma lanterna Super LED com potência de 1500 W. Já vínhamos desde finais de 2011 lidando com lanternas feitas com a mesma tecnologia, mas com potência de 120W, a nova lanterna produz mais luminosidade, maior amplitude de área iluminada, e disto decorre também maior definição na sombra projetada. Trata-se de uma fonte luminosa potente, móvel e produtora de pouco calor, facilitando o manuseio e a sua movimentação durante o trabalho. A lanterna em questão foi adquirida online num site chamado Lanternas Importadas.

Esta postagem foi escrita por Victor Rodrigues com contribuições de Mario Piragibe



quarta-feira, 28 de março de 2012

Pilobolus 1

Segue, como inspiração após uma noite de trabalho, um vídeo especial, com apresentações e explicações. Uma matéria sobre a requisição do grupo de dança (e sombras) norte americano Pilobolus para fazer um comercial de TV:


Essa é para o povo treinar o inglês...
Bom dia!

segunda-feira, 26 de março de 2012

3o encontro do grupo - 20 de março de 2012


No terceiro encontro do grupo de estudos de sombras estavam presentes Mario Piragibe, Letícia Mariano, Valéria Gianechini, Welerson  Filho e Victor Rodrigues (antigo  e flutuante integrante do grupo o qual esperamos resgatar de vez para as sombras rs).
Iniciamos o trabalho cada qual realizando sua própria seqüência de alongamento para “acordar” o corpo e ativar estado de atenção plena.  E naturalmente o aquecimento que iniciara individualmente tornou-se coletivo.
Partimos para o trabalho das articulações e algumas escalas corporais de Decroux conduzidos por Welerson. Além disso, relembramos os andares da mímica corporal dramática, que ainda parece ressoar nos corpos dos atores como algo desajeitado e sem ritmo. Diferente das escalas nas quais já se pode observar alguma melhoria no que se refere à limpeza e precisão.
No momento seguinte nos dividimos em duplas para trabalharmos a correção das escalas de frente a nossa sombra. Descobrimos durante esses três encontros, o quão a própria sombra pode nos dar respostas precisas quanto aos nossos “erros” na execução das escalas corporais. 
Achávamos inicialmente que precisávamos de espelhos para realizar esta tarefa, mas não: a sombra nos revela o suficiente para “reeducar” o movimento sem revelar nossa imagem completa.  Este trabalho me parece importante porque o esmero na atenção empregada na execução do movimento  não garante o êxito da atividade.  Todos nós em algum momento no trabalho com as escalas tivemos nossas posturas corrigidas enquanto tínhamos a certeza de que estávamos realizando a postura corretamente.
Do exercício de correção das escalas, partimos para um momento de experimentação livre da relação entre duplas. Foi interessante perceber a influência da trilha sonora que acabou por conferir um certo ar cômico tanto na minha relação com a minha parceira Letícia quanto na relação entre Mario e Victor, uma atmosfera de brincadeira que rendeu bons momentos de criação.
Em seguida, ampliamos o exercício de duplas para um exercício coletivo utilizando lanternas (um foco estático e outro móvel e num momento posterior dois focos móveis). Assim, todos do grupo se revezavam entre assistir, manusear um dos focos ou experimentar formas e movimentos nas sombras. Um grande experimento improvisacional que nos trouxe não somente formas inacabadas, como momentos que pareciam criados a partir de uma dramaturgia.

Esse post foi escrito poir Valéria Gianechini.

domingo, 25 de março de 2012

2° Encontro Grupo de Estudos de Teatro de Sombras [13/03/2012]

O segundo encontro do grupo de estudos foi na verdade nosso primeiro encontro de 2012 com atividade prática, para nooossssaaa alegriaaa. Apesar da ausência de nosso querido Mario Piragibe conduzimos normalmente o encontro como planejado na última reunião, contando com a presença de Welerson Filho, Valéria Gianechini e Letícia Mariano.

No primeiro momento realizamos um breve aquecimento tendo como foco do trabalho as articulações tanto do eixo central (coluna vertebral) quanto dos membros periféricos (braços e pernas). Essa atenção para as articulações se faz necessária pois é um dos princípios básicos para se compreender a gramática corporal recheada de escalas corporais extremamente codificadas estruturadas por Decroux, elegido por Eugênio Barba como o único mestre europeu a elaborar um sistema de regras semelhante às de uma tradição oriental. Também foram trabalhados princípios do equilíbrio 'instável'/'precário' com o intuito de potencializar o estado de presença do ator.

Em seguida passamos por alguns andares básicos propostos pela MCD (Mímica Corporal Dramática), levando a atenção para o contato do pé com o solo, complementando o trabalho de equilibrio feito anteriormente e nos municiando de elementos da linguagem para serem experimentados com as sombras.

Aquecidos realizamos o simples exercício de observar sua sombra. As únicas instruções dadas as atrizes é que não perdessem sua sombra de vista e nunca deixassem que sua sombra encostasse em outra. Com a fonte de luz fixa projetando as sombras das atrizes na parede, apareciam em diversos momentos elementos das escalas corporais e qualidades de movimento que trabalhamos em encontros anteriores. As movimentações tendiam para pequenos e médios movimentos corporais, resultando projeções com movimentação de mesma qualidade com "silhuetas corporais interiças" (Ex: na imagem ao lado) em praticamente toda a improvisação.

Prosseguindo o exercício foi proposto as atrizes uma regra adicional: Uma das sombras deveria ser pequena e a outra grande. Esse exercício teve como objetivo permitir as atrizes experimentarem, em jogo, a relação espacial de seu corpo com a fonte luminosa (lanterna) e de seu corpo com a área de projeção (tela, no caso a parede). Observei que diferentemente da parede aonde as atrizes tinham uma relação espacial de pequena e média distância para a fonte de luz essa relação espacial era sempre de grande para média. Em nenhum momento elas tiveram uma maior aproximação da fonte, o que pode ter acontecido em função de estarem seguindo a regra de nunca tirar os olhos da sombra, o que as deixava de costas para a fonte durante quase toda experimentação. Como no exércicio anterior os movimentos eram curtos ou médios, tendendo para movimentos cotidianos e objetivos. A dinâmica de jogo, devido a última regra estabelicidade, aumentou instaurando fortemente relações de poder devido a diferença de tamanho das sombras. A movimentação ficou ainda mais intensa quando a fim da experimentação o foco de luz tornou-se móvel, o que instensificou ainda mais a dinâmica de jogo permitindo também uma narrativa menos linear.


Após um breve intervalo para água e comentários retomamos o trabalho com escalas corporais: inclinação lateral (egipiciano) e rotação. Primeiro trabalhando as articulações isoladamente, depois, somando-as. Em seguida, levamos o trabalho de escalas para a sombra que demonstou-se um excelente auxiliar (ou delatora, hehe) para correção das posições, especialmente na escala lateral. Na escala de rotação a dificuldade aumenta já que o olhar não está direcionado para a sombra. A proposta era que a sombra realizasse as posições de maneira correta, primeiro com a fonte fixa, em seguida, com a fonte em movimento, para que cada vez mais essa relação espacial, fonte-corpo-tela, se afine.

Para finalizar as atividades práticas desse encontro realizamos um improvisação com sombra onde, a príncipio, cada atriz poderia mover uma articulação por vez. Chama a atenção como a simplicidade dos movimentos criam relações que constroem pequenos fio dramatúrgicos, se é que posso assim dizer, deixando cada vez mais evidente para mim a potência expressiva da sombra. A movimentação limpa e precisa também permite a quem está assistindo acompanhar e criar juntamente com as sombras essa narrativa com mais clareza. Em seguida a improvisação tornou-se livre, onde apareceram todos os elementos trabalhados durante os encontros que tivemos. Chamou-me a atenção o quanto os andares da mímica podem ser ricos para o trabalho com sombra.


Encerradas as atividades práticas, partimos para os comentários sobre os textos lidos. (daqui a pouco posto sobre xD)

Vou escrever um paragráfo de conclusão depois ok? kkkk Também vou organizar e adicionar o fichamento em breve.

Abraços

sábado, 24 de março de 2012

O primeiro encontro do Grupo de Estudos de Teatro de Sombras de 2012 aconteceu no dia 5 de março, na sede da Trupoe de Truões. Foi um encontro para acertarmos as metas e métodos de trabalho para o ano, entendendo como nosso trabalho será organizado e feito.

Estiveram presentes a esse encontro: Mario Piragibe, Welerson Freitas Filho, Valéria Gianechini e a nova integrante do grupo, Letícia Mariano. Dsicutimos sobre o fato de o trabalho permanecer centrado em encontrarmos princíos de treinamento e criação para o trabalho a partir da sombra corporal, tendo como referial de trabalho os princípios de trabalho e entendimento do corpo de Etienne Decroux e os fundamentos de trabalho da ator no teatro de animação, como são encontrados nas discussões de autores como Valmor Nini Beltrame, Paulo Balardim e Steve Tillis. Reconhecemos também no trabalho da Cia. Lumbra uma forte referência.

Para este ano decidimos que nossas frentes de trabalho serão duas, a saber:

Treinamento e criação, que consta das seguintes etapas de trabalho:

1. treinamento físico a partir dos princípios de operação das referências mencionadas (Decroux, o ator no teatro de animação);
2. elaboração de sessões de trabalho e treinamento para se desdobrarem em oficinas a serem oferecidas;
3. Pesquisas para iniciar um trabalho de criação (provavelmente a partir de um conto a ser escolhido).

Reflexão, que se desdobra como segue:

1. Leitura e discussão de bibliografia levantada
2. Produção de escrita acerca dos materias estudados, tanto nas sessões de trabalho prático quanto nas de trabalho reflexivo.

A estutura básica do trabalho a ser realizado em nossos encontros será a seguinte:

1. Aquecimento físico;
2. Treinamento de fundamentos psico-técnicos;
3. Trabalho de criação e aplicação com a sombra;
4. Discussão sobre o trabalho e sobre bibliografia sugerida.

As metas de trabalho para o ano serão as seguintes:

Março, abril e maio
* Treinamento físico e técnico;
* Levantamento e aplicação de princípios de trabalho apontados nas dissertações sobre o tema de Fabiana Lazzari e Emerson Nascimento;
* Experimentação e criação livres com sombra corporal;
* Leitura e discussão de bibliografia básica;

Junho
* Trabalhos dos três meses anteriores;
* Criação e ensaio de cenas curtas.

Julho
* Recesso;
* Leituras recomendadas

Agosto
* Treinamento físico e técnico

* Aprofundamento e registro de resultados de material reflexivo;
* Preparação de material para participação no Festival e Seminário de Jaraguá do Sul;
* Início dos trabalhos de criação artíca a partir de tema escolhido.

Setembro, outubro, novembro
* Treinamento físico e técnico

* Trabalhos de criação artística a partir de tema escolhido;
* Escrita de artigos e ensaios.

Dezembro
* Planejamento de trabalho para 2013.

Bibliografia básica:


BALARDIM, Paulo. Relações de vida e morte no teatro de animação. Porto Alegre: Edição do autor, 2004.
BARBA, Eugenio & SAVARESE, Nicola (orgs.). A arte secreta do ator. Dicionário de antropologia teatral. Tradução Luiz Otávio Burnier (sup.). São Paulo-Campinas: HUCITEC: UNICAMP, 1995.
BELTRAME Valmor. Animar o inanimado: a formação profissional no teatro de bonecos. 2001. Tese (Doutorado em Artes Cênicas) – Departamento de Artes Cênicas (CAC), Escola de Comunicação e Artes (ECA), Universidade de São Paulo (USP), São Paulo.
BELTRAME, Valmor Nini (org.). Teatro de sombras: técnica e linguagem. Florianopolis: CEART/UDESC, 2005.
BONFITTO, Mateo. O ator compositor. São Paulo: Perspectiva, 2002. (estudos; 177).
BURNIER, Luís Otávio. A arte de ator: da técnica à representação. 2a. ed. Campinas: Unicamp, 2002.
CASATI, Roberto. A descoberta da sombra. tradução de Eduardo Brandão. São Paulo: Cia. Das Letras, 2001. 
LAZZARI DE OLIVEIRA, Fabiana. Alumbramentos de um corpo em soimbras: o ator da Companhia Teatro Lumbra de Animação. 2011. Dissertação (Mestrado em Teatro) - CEART, UDESC, Santa Catarina.
LECOQ, Jacques. O corpo poético. Uma pedagogia da criação teatral. tradução de Marcelo Gomes. São Paulo: SENAC SP/SESCSP, 2010.
NASCIMENTO, Emerson Cardoso. A (re) descoberta da sombra: experiência realizada com edicadores na cidade de Imbituba - SC.  2011. Dissertação (Mestrado em Teatro) - CEART, UDESC, Santa Catarina.
ROMANO, Lucia. O teatro do corpo manifesto: teatro físico. São Paulo: Perspectiva, 2008. (debates; 301).

TILLIS, Steve. Towards an aesthetics of the puppet: puppetry as a theatrical art. New York: Greenwood Press, 1992.

As próximas postagens serão relatos das sessões de trabalho e discussão, com fotos, vídeos e outros materiais que possam ajudar a registrar o andamento do trabalho e aprofundar as discussões online. Espero que o formato e dinâmica de postagens evolua para além dessa introdução acadêmica e esquemática. 

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